4 Perguntas para Saber se o Casamento Acabou com o Amor, Segundo um Psicólogo
Publicado em 28/06/2025 · Categoria: Negócios
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O casamento traz consigo uma série de responsabilidades, como cuidar das finanças, dos filhos, da família e um do outro. Esse compromisso para a vida toda também tem o objetivo de aproximar ainda mais o casal e fortalecer o vínculo entre eles — algo que pode passar despercebido quando a rotina começa a pesar.
Com o tempo, talvez você tenha parado de deixar bilhetinhos na marmita dele ou ela tenha deixado de te ligar depois daquela apresentação importante só para saber como foi. Esses gestos, ou a ausência deles, provavelmente não são intencionais. Muitas vezes, são apenas reflexo de agendas cheias, mas em certos casos podem indicar que o casal está começando a se desligar emocionalmente ou a se acomodar na relação.
Se você anda se perguntando se seu parceiro ainda está emocionalmente presente, aqui vão quatro perguntas sutis, mas poderosas, que podem te ajudar a perceber o quanto ele ou ela ainda está envolvido e engajado no relacionamento.
1. Ele ainda demonstra curiosidade sobre você?
A gente costuma subestimar o poder da curiosidade nos relacionamentos. É fácil cair na rotina de conversas superficiais, como “tudo bem?”, “você pagou a conta?” ou “o que tem pro jantar?” Mas para manter a conexão, é preciso ir além.
Por exemplo, se você comenta que não gostou de um livro, ele realmente presta atenção no que você disse? Pergunta o que exatamente te incomodou?
Demonstrar curiosidade é uma forma de mostrar interesse — e essa curiosidade precisa vir dos dois lados. Também é importante não assumir que seu parceiro continua pensando exatamente como pensava quando vocês se conheceram. As ideias e sentimentos dele podem ter mudado e é essencial que vocês dois estejam abertos a explorar essas mudanças um no outro constantemente.
Um parceiro amoroso continua interessado em você — não só nas coisas que você faz. Na verdade, a falta de curiosidade pode levar ao que muitos chamam de “vida paralela”: vocês continuam morando juntos, mas aquela intimidade que existia no começo do relacionamento já não está mais lá. Isso pode acontecer porque os rituais que uniam vocês no início — como piadas internas ou o prazer por atividades em comum — foram se perdendo com o tempo.
Uma boa ideia é tentar fazer pelo menos cinco perguntas sinceras por semana, que vão além da rotina e da logística do dia a dia. Isso demonstra que ainda existe interesse mútuo, presença emocional e vontade de manter a conexão viva entre vocês.
Pergunte a si mesmo:
- Quando foi a última vez que ele ou ela quis saber como eu estou me sentindo?
- Ele sabe o que, neste momento, tem me deixado animado(a), estressado(a) ou o que tem sido importante para mim?
Se você sentir que a resposta para essas perguntas é “não”, talvez seja hora de vocês retomarem conversas mais profundas e se reconectarem de verdade.
2. Eles ainda se esforçam para planejar encontros ou momentos a dois?
Quando você e seu parceiro fazem questão de planejar encontros ou atividades juntos, isso mostra que ambos se importam e têm uma visão parecida sobre como cuidar da relação. Ter essa atitude proativa ajuda a manter a chama acesa.
E não é preciso esperar o relacionamento cair na rotina para começar a agir. Dá, sim, para planejar momentos de crescimento e de novidade no relacionamento — não precisa ser tudo espontâneo. O planejamento, inclusive, pode criar espaço para experiências significativas e divertidas. Casais que têm essa motivação natural para melhorar a relação costumam ser mais intencionais nas escolhas que fazem.
Isso é comprovado por pesquisas. Um estudo de 2021 publicado no “Journal of Social and Personal Relationships” mostrou que programar encontros empolgantes pode aumentar a conexão entre o casal. Esses momentos também ajudam a crescer juntos.
Os pesquisadores destacam que a intenção faz toda a diferença. Pessoas que estão mais focadas em construir relacionamentos positivos tendem a planejar encontros melhores. São eles que pensam com antecedência em coisas legais para fazer a dois e estão sempre buscando formas de aprofundar o vínculo — justamente porque querem viver experiências mais significativas com quem amam.
3. Eles dividem as responsabilidades da vida que vocês construíram juntos?
Em muitos casamentos, um dos parceiros — muitas vezes a mulher — acaba assumindo a maior parte dos cuidados e tarefas. Mas o envolvimento emocional também se revela no apoio prático do dia a dia.
Uma pesquisa publicada no “The American Journal of Family Therapy” investigou como os casais dividem suas responsabilidades. Veja o que alguns participantes disseram:
- “Dividimos meio a meio. Para ser sincero, já vi muitos relacionamentos em que tanto a mulher quanto o homem trabalham, mas a mulher ainda faz 85% das tarefas e isso não é justo”;
- “Os dois têm esse perfil de quem gosta de cooperar e isso ajuda muito nos dias difíceis ou quando temos problemas com as crianças ou a família. A gente tenta ir além e prestar atenção em quem está sobrecarregado naquele dia pra poder ajudar mais”.
Esses relatos mostram que casais devem se colocar no lugar quando a divisão de tarefas falhar. Eles precisam estar dispostos a renegociar a divisão de tarefas de acordo com as necessidades do momento.
Muitos casais apontaram a generosidade como um valor essencial na relação — oferecer ajuda quando o outro está sobrecarregado e agir com empatia, mesmo sem ser solicitado.
“Na semana passada mesmo, eu disse: ‘tenho algo importante chegando e estou estressada, não sei como lidar.’ E ele respondeu: ‘Tá, como eu posso te ajudar? Você precisa de tempo? Quer ficar um tempo sozinha? Quer que eu cuide das crianças? O que eu posso fazer?’”, lembrou uma das participantes.
Essa é uma boa forma de perceber o quanto seu parceiro está disposto a contribuir. Evite cair em estereótipos de gênero para justificar divisões injustas, como “ela cuida da casa, ele cuida da parte externa” ou “ele cuida do dinheiro e ela, das crianças”.
Faça perguntas específicas a si mesma(o):
- Quem planeja as refeições?
- Quem leva os filhos ao médico?
- Há um equilíbrio no cuidado emocional?
- Alguma coisa precisa mudar ou esse sistema funciona para nós?
A disposição do seu parceiro para conversar e colaborar revela o quanto ele contribui de fato e permite que você também tenha pausas. Quando ele toma iniciativa, demonstra que valoriza o seu tempo e bem-estar — que se importa com você como pessoa e não apenas com o papel que você desempenha ou as coisas que faz por ele.
4. Ele cuida de você quando você não está bem — física ou emocionalmente?
Parece óbvio que o parceiro deve estar ao seu lado “na saúde e na doença”, mas muita gente relata se sentir negligenciada quando está doente, ansiosa ou sobrecarregada. Questione a si mesmo:
- O quanto seu parceiro está presente quando você não está em condições de cuidar de si?
- Ele cuida de você espontaneamente ou tenta empurrar essa responsabilidade para outras pessoas, como seus pais ou irmãos, só para poder seguir com a própria rotina?
Quando um parceiro se mostra indisposto a estar presente nos momentos de doença ou fragilidade, isso pode criar uma distância emocional — e, em alguns casos, até levar ao fim do relacionamento.
Um estudo de 2015 publicado no “Journal of Health and Social Behavior” acompanhou mais de 2,7 mil casamentos e revelou que, embora apenas 6% dos casos em que um dos parceiros adoece acabem em divórcio, o início de uma doença na esposa está associado a um risco mais alto de separação.
Se seu parceiro se desliga emocionalmente quando você adoece, é possível que ele esteja enxergando a situação de forma mecânica — como um problema a ser resolvido o mais rápido possível para que tudo volte ao normal. Ele pode até ajudar com empolgação no começo, mas depois acaba se afastando quando não consegue lidar com a carga emocional, as tarefas da casa ou quando sente que suas próprias necessidades não estão sendo atendidas.
O verdadeiro apoio aparece quando a pessoa toma a iniciativa de cuidar de tudo, enquanto você não consegue sair da cama. É saber dar conta das crianças, quando você está sem forças. É conseguir sentar em silêncio ao seu lado durante uma doença ou perceber quando você está para baixo e checar como você está se sentindo.
Se seu parceiro constantemente ignora suas necessidades nos momentos de fragilidade, isso pode indicar afastamento emocional, esgotamento, falta de empatia — ou tudo isso junto. Sentir-se “abandonado(a)” quando mais se precisa de apoio é algo profundamente doloroso. A forma como a pessoa te trata nos seus momentos mais vulneráveis é um dos sinais mais claros de quanto ainda existe de amor ali.
O amor depois do casamento não se resume a dizer “eu te amo”. Ele se mostra nos pequenos gestos, feitos com constância, que dizem: “eu te vejo, me importo e continuo escolhendo estar com você.”
Uma das atitudes mais destrutivas — e muitas vezes não intencionais — que surgem nos relacionamentos é quando um passa a dar o outro como garantido. O parceiro pode achar que você já sabe que é amado(a) e deixar de demonstrar isso ou de se esforçar como fazia antes. Ou, talvez, ele tenha mesmo parado de se importar.
A forma como ele responde às suas necessidades emocionais é um forte indicativo do quanto ainda existe de amor e envolvimento na relação. Se ele deixou de se esforçar, fale abertamente sobre como você se sente e o que precisa.
Fazer um relacionamento dar certo exige empenho. Ambos os parceiros precisam estar presentes um para o outro com constância e demonstrar gratidão quando recebem cuidado. Mas, se o amor já não parece mais um lugar seguro, esse pode ser um sinal importante de que está na hora de reavaliar essa conexão.
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