Lize Bartelli: a Nova Voz do Feminismo Solar na Arte Contemporânea Londrina

Publicado em 18/06/2025 · Categoria: Negócios

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Durante a última edição da London Gallery Weekend, uma exposição chamou atenção não apenas pela força estética, mas pela delicadeza com que confronta códigos culturais profundos. Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me, primeira individual da artista brasileira Lize Bartelli em Londres, apresentou ao público europeu uma abordagem rara e cativante sobre o feminino: intensa, política — e, ao mesmo tempo, silenciosa e luminosa.

Sob curadoria de Marisa Bellani, a mostra — cujo nome é emprestado da faixa do The Smiths — aconteceu na Roman Road, em Mayfair, e propôs um novo vocabulário visual para discutir beleza, poder e autonomia. Embora cada tela carregue o nome de uma figura histórica feminina — como Simone (de Beauvoir), Leila (Diniz) ou Brigitte (Bardot) —, Lize evita o literal, optando pelo simbólico. “Não existe uma figura única que tenha inspirado essas personagens”, explica. “Elas são compostas por referências de imagens antigas, memórias, sentimentos e também por mim mesma. Muitas pessoas acham que são autorretratos, talvez porque, de alguma forma, toda mulher que eu pinto carrega um pouco da minha vivência e do que observo nas mulheres ao meu redor.”

E é talvez aí que resida a força do seu trabalho. Em vez de retratar a mulher como um objeto de contemplação, Bartelli a reconstrói como sujeito absoluto. São figuras que fumam, pensam, jogam cartas, se impõem com a leveza de quem não precisa pedir permissão para existir.

A curadora cunhou o termo feminismo solar para descrever essa abordagem — expressão que a própria artista adota, com a naturalidade de quem nomeia algo que sempre existiu. “O termo surgiu depois das obras”, conta Lize. “Ele descreve uma forma de feminilidade que é forte, vital e luminosa. Um tipo de presença que não precisa apagar a leveza para ser levada a sério. É sobre habitar as contradições com calor, brilho e autonomia.”

As referências visuais transitam por décadas libertárias, como os anos 60 e 70, evocando objetos como telefones rotatórios e baralhos vintage — mas tudo com uma atemporalidade que transcende a nostalgia. A paleta de cores — com vermelhos intensos, pretos profundos e contrastes vívidos — reforça a tensão entre a padronização estética e a singularidade da expressão.

Nascida no Rio e residente em Londres, a trajetória de Bartelli reflete sua pluralidade: formada em Filosofia pela PUC-Rio, estudou Performance e História da Arte antes de se dedicar integralmente à pintura, a partir de 2020. Desde então, já expôs em São Paulo, Cidade do México e agora em Londres — sempre navegando entre o íntimo e o coletivo.






Atualmente radicada em Miami, a carioca Paula Bezerra de Mello é empresária e relações públicas. Com a Ello Agency, ela lidera conexões entre a indústria de entretenimento global e empresas e iniciativas sociais no Brasil.

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