Por Que Estar Solteiro Não É um Problema: 3 Ideias Que Você Precisa Abandonar
Publicado em 19/06/2025 · Categoria: Negócios
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Altos e baixos fazem parte tanto de um relacionamento quanto da vida de solteiro. Algumas pessoas acham mais difícil lidar com a solitude, enquanto outras a consideram mais fácil do que lidar com um parceiro.
Mas, na prática, o que determina essa relação com a solteirice? Um novo estudo, publicado em junho no Journal of Social and Personal Relationships, oferece algumas respostas. Os pesquisadores reforçam a ideia de que estar solteiro pode ser uma experiência complexa, com benefícios e desafios, dependendo da sua perspectiva pessoal e do ambiente em que você vive.
Os cientistas entrevistaram 11 adultos solteiros de diferentes idades e origens étnicas sobre essas complexidades e obtiveram três principais insights sobre como isso os afeta. Confira:
1. O “momento certo” não existe
Uma crença que muitas vezes afeta como nos sentimos em relação à solteirice é a ideia da “idade apropriada” para estar solteiro. Impulsionadas por expectativas sociais, muitas pessoas acreditam que existe um “momento certo” para estar solteiro — quando se é jovem e está em busca de objetivos ambiciosos de carreira ou desenvolvimento pessoal — mas não quando se é mais velho. Ao envelhecer, de repente, isso vira motivo de preocupação.
“Especialmente no contexto cultural de onde venho, eu diria com certeza que, assim que você termina o que considera ser sua educação, seja uma graduação ou um mestrado, e no segundo em que começa a trabalhar em tempo integral, de repente há uma mudança… então você deve começar a procurar ativamente acabar com a sua solteirice”, explica Diya (23), participante do estudo.
Nossas experiências pessoais e tendências podem alimentar esses sentimentos de inadequação em relação à solteirice. Pesquisas recentes mostram que cerca de 78% dos adultos solteiros tendem a ter um estilo de apego inseguro, muitas vezes caracterizado por uma grande necessidade de reafirmação acompanhada do medo do abandono e da rejeição.
Esse tipo de estilo de apego pode moldar a autoestima e as ideias de valor pessoal e amor. Para muitas dessas pessoas, a solteirice parece confirmar seus maiores medos, mesmo que isso não seja verdade. Isso pode ser especialmente difícil para solteiros que desejam um parceiro romântico, mas ainda não encontraram um.
“Eu definitivamente não ficaria feliz se estivesse solteiro aos 50 anos. Nesse ponto você já deveria ter filhos e estar em um relacionamento saudável”, diz Theo (28), outro participante do estudo.
Os pesquisadores descobriram que, conforme envelhecemos, há um ponto de virada que muitas pessoas vivenciam, no qual decidem investir totalmente em sua identidade como pessoa solteira ou focar em “se estabelecer” com alguém. Esse processo pode continuar ao longo de diferentes fases da vida.
“Eu não prefiro estar solteira, mas se eu não tiver escolha, vou ficar solteira e feliz”, afirma Evelyn, de 43 anos.
Parece, então, que aqueles que reconhecem seu valor como companheiros em potencial, mas que tendem a não impor prazos a si mesmos sobre quando é o momento certo para encontrar um parceiro, lidam melhor com a solteirice.
“Nossas descobertas destacam que os solteiros podem reduzir a incongruência entre o estado civil e as expectativas de idade ao enxergar a solteirice como uma escolha de estilo de vida legítima, que requer investimento (por exemplo, investir em amizades ou hobbies) e ao rejeitar a crença de que relacionamentos românticos são um passo necessário para certos objetivos de vida”, explicam os pesquisadores.
2. Autonomia e conexão não podem coexistir
Os pesquisadores descobriram que os participantes solteiros frequentemente sentiam que uma conexão romântica acontecia às custas de sua autonomia individual, e muitos tinham dificuldades em equilibrar a necessidade de ambos os aspectos em suas vidas.
“Começar um relacionamento é tipo ‘ei, eu tenho tempo limitado’, porque obviamente trabalho, tenho minha família e metas profissionais. Quero fazer pós-graduação. Amo ler. Amo fazer minhas próprias coisas”, comenta Carlos, de 24 anos.
Muitas pessoas solteiras se sentem divididas entre manter a autonomia que acreditam que a solteirice oferece e querer o profundo senso de conexão que acreditam que apenas um parceiro romântico pode proporcionar.
“Sinto que em um relacionamento com um parceiro é muito mais próximo (do que) com amigos e família. (Um parceiro romântico é) alguém a quem você pode recorrer e conversar — é algo mais profundo e íntimo do que apenas amigos e família”, diz Sean, outro participante de 24 anos.
No entanto, pesquisas mostram que os relacionamentos prosperam quando ambos os parceiros vivenciam autonomia, e a solteirice não precisa significar falta de conexão profunda. Na verdade, muitas pessoas solteiras têm relacionamentos platônicos profundamente gratificantes, e esse amor e apoio são inestimáveis.
Um estudo de 2021, publicado no Personality and Social Psychology Bulletin, descobriu que pessoas solteiras que têm maior satisfação nas amizades também experimentam maior satisfação com a solteirice.
Para muitos, estar solteiro oferece a oportunidade de investir mais tempo e energia na manutenção dessas relações, o que, por sua vez, traz benefícios ao próprio bem-estar. Assim, um forte sistema de apoio e conexões gratificantes têm papel crucial em encontrar alegria na solteirice.
3. A pressão e as normas sociais precisam ser obedecidas
Muitas pessoas solteiras enfrentam a pressão social para encontrar um parceiro. Porém, para encontrar conforto na solteirice, os pesquisadores sugerem que é preciso rejeitar conscientemente e inconscientemente essas normas.
Muitos participantes relataram ser lembrados de sua solteirice de forma indireta, por causa de seus ambientes sociais.
“Nos grupos (de conversa) é tudo sobre (pessoas) casadas ou grávidas ou que compraram uma casa com o parceiro. Acho que, pelo menos pra mim, isso enfatiza minha solteirice”, diz Nicole (32), participante do estudo.
Outros participantes relataram como as pessoas ao redor faziam comentários diretos sobre sua solteirice, tratando-a como uma fase que precisa acabar, em vez de um caminho de vida completamente natural e aceitável.
Martin, um participante de 56 anos que é divorciado, destacou como isso acontecia em seu círculo social. “(Colegas de trabalho) de vez em quando entram no assunto ‘bom, você quer que eu te apresente ao meu amigo?’”
“No começo, minha mãe dizia ‘você deveria casar de novo, não deveria ficar sozinho’, mas com o passar dos anos ela meio que parou de perguntar. De vez em quando ela pergunta se ainda estou sozinho, (e) sim, ainda estou sozinho, (e) de vez em quando ela diz algo do tipo ‘isso não é bom, você deveria encontrar alguém’”, acrescenta Martin.
Ser solteiro em uma sociedade que romantiza o amor a dois não é tarefa fácil, mas pode ser profundamente libertador e gratificante para muitos, especialmente para aqueles que se libertam das amarras das expectativas sociais sobre relacionamentos.
Não há nada de deficiente, antinatural ou digno de pena em ser solteiro, como muitas vezes somos levados a acreditar. Na verdade, uma relação saudável com a solteirice indica uma relação profundamente saudável consigo mesmo. Entender que um romance não é o objetivo final da vida pode, de fato, te libertar.
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