“O Impossível é Provisório”, diz Juliana Souza, Fundadora do Instituto Desvelando Oris
Publicado em 23/06/2025 · Categoria: Negócios
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Quando criança, Juliana Souza sonhava em ser juíza. Na escola, virou alvo de piadas, mas encontrou força nas palavras da mãe: “O impossível é provisório”. Nascida em Feira de Santana (BA) e criada entre Osasco e Itapevi (SP), tornou-se advogada, mas optou por outro caminho.
Vinte anos mais tarde, em agosto passado, fez história ao conquistar a primeira condenação no Brasil por racismo e injúria racial com pena em regime fechado. “Fui essa criança negra que sofreu racismo e sou uma adulta negra que lida diariamente com microviolações que de ‘micro’ não têm nada”, diz a advogada, de 33 anos, que está na lista Forbes Mulheres Mais Poderosas do Brasil. O caso envolveu a filha dos atores Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank.
Juliana Souza lidera o Instituto Desvelando Oris (“cabeça”, em iorubá), fundado por ela em 2022 para combater as desigualdades racial e de gênero, apoiado nos pilares de educação, justiça e cultura. A ONG já impactou diretamente 35 mil pessoas por meio de seus projetos: orientação jurídica pro bono, mentorias e oficinas de capacitação profissional, programas de educação antirracista, além de eventos para as comunidades, uma biblioteca e um closet solidário na sede em São Paulo. “Quero que a jornada de quem vem de onde eu vim seja menos difícil, que essas pessoas se apresentem antes do CEP, da cor da pele ou da conta bancária.”
Seu trabalho a levou a Nova York para receber o prêmio MIPAD (Most Influential People of African Descent), que reconhece as pessoas negras mais influentes do mundo. Estar na lista não basta – ela quer ampliá-la. “Esse lugar de ‘única’ não me interessa.” Filha orgulhosa de uma “dinastia de trabalhadoras domésticas”, Juliana encontrou na educação o caminho para ascender. “Em casa, sempre tive minhas maiores professoras”, diz.
A advogada, que estudou em escolas públicas e devorava o único livro disponível em casa — um dicionário —, foi beneficiária de um projeto social que preparava alunos da rede pública para a universidade. Antes de cursar Direito na PUC-SP com bolsa do ProUni, trabalhou como eletricista de manutenção e digitadora. Mais tarde, atuou no Instituto Alana, onde iniciou sua trajetória no terceiro setor.
Durante a pandemia, alcançou 2 milhões de pessoas em uma live com a Anitta e, ali, percebeu seu poder de traduzir o racismo para um público amplo. Dessa experiência nasceu, em 2021, o livro “Torrente Ancestral – Vidas Negras Importam?”.
Advogada, empreendedora, influenciadora e autora, ela defende sua multiplicidade. “Tenho muitos interesses para além de falar sobre raça e desigualdade”, diz a entusiasta da moda nacional e amante de bons vinhos e viagens. Agora, ela quer ampliar sua mensagem por meio da música e prepara o lançamento de seu primeiro disco. “A música, e a arte em geral, têm o poder de nos conectar e nos alcançar em outro lugar.”
Reportagem original publicada na edição 127 da Forbes, lançada em fevereiro de 2025.
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