Como a Espanha Usa Sua Gastronomia para Atrair Turistas
Publicado em 26/06/2025 · Categoria: Negócios
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Viajar para comer nunca esteve tão em alta. Em um mundo em que experiências autênticas valem mais do que souvenirs, a gastronomia se firmou como um poderoso atrativo turístico. A Espanha, país que há décadas figura entre os destinos mais visitados do mundo, sabe disso como poucos e vem colhendo frutos de uma estratégia bem pensada: fazer da sua culinária, da paella aos vinhos, um cartão de visitas.
De acordo com o Ministério do Turismo da Espanha, cerca de 10,6 milhões de turistas internacionais participaram de atividades enogastronômicas no país só no primeiro semestre de 2024, o equivalente a 25% do total de visitantes. Mais impressionante ainda é o impacto econômico: esse grupo gerou 15,16 bilhões de euros, ou 27,3% do gasto total com turismo na Espanha. Em resumo, quem viaja para comer, gasta mais – e a Espanha quer mais desses visitantes.
Segundo Miguel Nieto-Sandoval, diretor do Escritório de Turismo da Espanha (Turespaña) no Brasil, foi a mudança de estilo do visitante que motivou o país a transformar sua cozinha em ativo estratégico. “Surgiu um novo perfil de turista, mais interessado em cultura, experiências autênticas e, sobretudo, gastronomia. Ela deixou de ser apenas um complemento e virou um dos protagonistas, capaz de atrair viajantes exigentes”, afirma.
A resposta institucional veio por meio do Turespaña, que passou a promover a marca Espanha com foco no turismo gastronômico em campanhas internacionais. Festivais, press trips, ações com chefs renomados e roteiros temáticos – como as Rotas do Vinho, do Atum e do Azeite – ajudaram a consolidar a imagem da cozinha espanhola como plural, sofisticada e conectada com suas raízes. “É um ecossistema robusto, que combina tradição e modernidade”, resume o diretor.
A cultura das tapas
Parte fundamental desse movimento tem nome: as tapas, pequenas porções de comida compartilhadas na mesa. Presente em toda a Espanha, o hábito de “tapear” é tão marcante que se tornou um modo de vida. “As tapas unem o prazer espanhol de socializar e a valorização da boa gastronomia. Elas unem convivência, sabor e identidade”, diz Nieto-Sandoval.
Essa cultura, aliás, vem sendo promovida mundo afora, e chega em São Paulo com a 3ª Edição do Festival de Tapas, em voga até dia 3 de julho. Organizado pelo Escritório de Turismo da Espanha no Brasil, o evento reúne 25 bares e restaurantes da capital paulista, cada um com uma receita inédita inspirada nas tapas tradicionais. A proposta é unir chefs brasileiros à cultura espanhola de maneira criativa e acessível.
Participam endereços de todo tipo da cena gastronômica paulistana: Aizomê, Jiquitaia, Cora, Caco, Fresta, Pasta Shihoma, Clandestina, Cepa, entre outros. As tapas criadas especialmente para o festival serão avaliadas por um júri especializado e pelo público – e o vencedor ganhará uma passagem para a Espanha. A expectativa da organização é de vender ao menos 4.500 tapas este ano, o que representa cerca de 9 mil clientes diretos, além dos impactados pela divulgação online e nos cardápios dos restaurantes.
O diretor da Turespaña no Brasil reforça que o país é um mercado estratégico para o turismo espanhol, e que ações como essa ajudam a construir laços duradouros. “São Paulo, com sua abertura à culinária internacional, foi a escolha natural para sediar o evento. Promover a cultura espanhola através da gastronomia é uma forma eficaz de fortalecer esse vínculo”.
Alta gastronomia da Espanha e produtos locais
Além da informalidade das tapas, a Espanha também brilha nos holofotes da alta gastronomia. O país vive uma década de ouro, por último coroado pela vitória no ranking do 50 Best Restaurants 2024, que elegeu o Disfrutar, em Barcelona, como o melhor restaurante do mundo – a oitava vez, em 23 edições do prêmio, que uma casa espanhola esteve na liderança. Na lista deste ano, sem primeiro lugar, dois espanhóis ocupam o top 10: Asador Etxebarri (2º) e DiverXo (4º).
Ambiente do Disfrutar, em Barcelona, eleito o melhor restaurante do mundo em 2024
Quando o assunto é Michelin, não é diferente: a Espanha é o 5º país com mais reconhecimentos no guia, com 287 restaurantes estrelados. Esse desempenho atraiu ainda mais atenção internacional para o país e para seus talentos, ingredientes e tradições.
Chefs celebrados, como Ferran Adrià, Andoni Luis Aduriz, José Andrés e Dabiz Muñoz, contribuíram para tornar a gastronomia um símbolo nacional. Produtos como o jamón ibérico, os frutos do mar da Galícia, o atum bluefin de Cádiz, os vinhos (de La Rioja à Ribera del Duero) os queijos artesanais ganham cada vez mais espaço nas mesas de quem busca o melhor da culinária espanhola.
É um movimento que não parece ter volta. “Não queremos que a gastronomia da Espanha seja a única razão para visitar o país, mas sim que ela esteja sempre presente como parte essencial da experiência”, reforça Nieto-Sandoval.
A quem for ao país, a certeza é que a comida, os vinhos, o vermute e tantas outras delícias certamente eleverão o nível da viagem.
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