Peixe Ornamental Também É Agro e Brasil Abre Esse Mercado no Uruguai
Publicado em 27/06/2025 · Categoria: Negócios
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O governo brasileiro e o governo da Uruguai concluíram negociação para que o Brasil possa exportar peixe ornamental vivo para aquele país. Em 2024, o Brasil exportou US$ 904 milhões em produtos agropecuários para Uruguai, com destaque para carnes, produtos florestais, chá, mate e especiarias.
A abertura do novo mercado para o Brasil, que abriga uma das maiores biodiversidades de peixes ornamentais do mundo, gera oportunidades de incremento do comércio bilateral.
Embora pouco visível nas estatísticas oficiais e nas políticas públicas, o setor de peixes ornamentais integra a cadeia aquícola brasileira e movimenta milhões de dólares por ano em comércio internacional. Segundo a publicação técnica da Embrapa, de 2021, o mais recente grande trabalho sobre o setor, a criação e exportação desses organismos ainda enfrenta entraves estruturais no país, mas possui elevado potencial de crescimento, especialmente com espécies nativas de alto valor agregado.
Peixe ornamental: o setor invisível do agro que pode valer milhões
Dados de exportação de 2024 mostram que o Brasil exportou US$ 4 milhões em peixes ornamentais, segundo o Mapa, dos quais US$ 2,6 milhões foram de animais enviados aos países asiáticos. Lá atrás, em 2014, de acordo com os dados apresentados no estudo da Embrapa, o Brasil chegou a exportar US$ 13,8 milhões em peixes ornamentais, mas esse valor caiu pela metade em dois anos, fechando 2016 com US$ 6,57 milhões. Mesmo assim, o país ainda figurava como o 14º maior mercado exportador mundial, com cerca de 1,89% de participação no mercado global, que movimentou US$ 347 milhões naquele ano.
Os principais polos de produção incluem a Zona da Mata de Minas Gerais, Mogi das Cruzes (SP) e áreas do Amazonas e Pará, com destaque para espécies como tetra-cardinal, acará-disco, acará-bandeira, arraias e cascudos. Essas espécies, muitas vezes coletadas de forma extrativista na Amazônia, são revendidas por valores baixos a atravessadores e depois comercializadas no exterior por preços até cem vezes maiores.
Segundo a Embrapa, um dos exemplos mais emblemáticos é o cascudo-royal L-27, vendido no Brasil por US$ 4 a US$ 8, e revendido em Portugal por até US$ 460 por exemplar. Ainda assim, o setor enfrenta desafios como a falta de linhas de crédito específicas, ausência de estatísticas atualizadas, dificuldade na regularização legal e desalinhamento normativo entre órgãos ambientais e de produção.
O documento aponta que o Brasil possui 725 espécies nativas e 501 espécies exóticas autorizadas para cultivo ornamental, somando 1.226 possibilidades legais. No entanto, estima-se que mais de 1.200 espécies nativas brasileiras ainda estejam fora do mercado por falta de regulamentação, o que evidencia um potencial subexplorado dentro da aquicultura nacional.
O crescimento do aquarismo, que movimenta entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões por ano no mundo, segundo fontes citadas na obra, é um indicativo claro de oportunidade. Peixes ornamentais são os pets mais populares do mundo, superando cães e gatos em número de indivíduos mantidos em domicílios.
A Embrapa defende que a aquicultura ornamental deve ser tratada como atividade agropecuária estratégica, com foco na produção em cativeiro de espécies nativas, incentivo à capacitação técnica e consolidação de uma legislação unificada. “A aquicultura mostra-se como opção sustentável para atender à ainda reprimida demanda de mercado internacional”, diz o texto técnico.
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