Boston Consulting diz que Paisagens Regenerativas na Amazônia Podem Atrair até R$ 116 Bi
Publicado em 30/06/2025 · Categoria: Negócios
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Um estudo apresentado nesta segunda (30) pelo Boston Consulting Group (BCG), posiciona a Amazônia como peça-chave para uma nova lógica de desenvolvimento que alinha retorno financeiro com restauração ambiental, inclusão social e redução de riscos climáticos. Com foco no estado do Pará, e em colaboração com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (SEMAS), o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e o WBCSD (World Business Council for Sustainable Development), o estudo mapeou o potencial econômico da transição para modelos produtivos sustentáveis na Amazônia. A estimativa é que o processo possa mobilizar R$ 116 bilhões em investimentos até 2040, com rentabilidade média de 19% ao ano.
Intitulado Resiliência para o Futuro: Caminhos Viáveis para Paisagens Regenerativas na Amazônia, o relatório defende que a implementação de práticas agrícolas regenerativas e de bioeconomia pode fortalecer a segurança climática, aumentar a produtividade e tornar a economia local mais resiliente. No entanto, os obstáculos são significativos: o Pará, que concentra cerca de 30% da Amazônia brasileira, já perdeu 24 milhões de hectares para o desmatamento — 20% de sua área total — e viu a conversão de terras crescer 69% nos últimos cinco anos.
A conjuntura climática e econômica também pressiona o setor. A pesquisa aponta que 95% dos produtores estão preocupados com pragas, 94% com secas e 92% com escassez de mão de obra. Já o acesso ao crédito segue restrito: 58% dos pecuaristas e 39% dos agricultores destacam o custo como o principal entrave.
Segundo Arthur Ramos, sócio do BCG, quatro barreiras comprometem a escalabilidade do modelo: ausência de assistência técnica qualificada, ceticismo em relação à viabilidade econômica da transição, dificuldades no acesso a crédito em função dos altos custos iniciais e falta de padronização nos sistemas de verificação, além da insegurança fundiária. “Boa parte das áreas com potencial de regeneração não possui titularidade definida, o que inviabiliza investimentos e impede o acesso a mercados premium”, afirma Ramos.
Potencial produtivo e retorno sobre investimentos
O levantamento estima que 8,8 milhões de hectares no Pará possuem viabilidade técnica e econômica para transição regenerativa. Desse total, 6,8 milhões de hectares são pastagens que poderiam ser reformadas ou manejadas com ganho de produtividade, oferecendo retorno estimado entre 12% e 16% ao ano, com payback entre 8 e 11 anos. Outros 600 mil hectares apresentam potencial para sistemas agroflorestais de cacau, com lucratividade entre 15% e 22%, recuperável em um ciclo de 7 a 9 anos.
O estudo entrevistou 156 agricultores locais e identificou um grau elevado de otimismo: 90% estão confiantes no futuro das operações até 2030 e 65% projetam que a produção em 2025 será superior à de 2024.
Marcelo Behar, enviado especial para Bioeconomia da COP30 e conselheiro do WBCSD e CEBDS, afirma que a região reúne as condições para se tornar um hub de bioeconomia. “Sistemas agroflorestais de cacau, por exemplo, podem gerar até R$ 33,4 mil por hectare em valor líquido. A combinação entre conservação e geração de renda pode beneficiar mais de 80 mil pequenos produtores e comunidades locais.”
Juliana Lopes, diretora de Natureza e Sociedade do CEBDS, reforça que o Pará pode se tornar uma referência internacional em paisagens regenerativas. “A transição pode estruturar um modelo escalável para a Amazônia como um todo, combinando sociobiodiversidade e inclusão produtiva.”
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