O Que a Última Briga de Musk com Trump Significa para a Tesla

Publicado em 02/07/2025 · Categoria: Negócios

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A revolta de Elon Musk por causa do projeto de orçamento do presidente Donald Trump, que adiciona trilhões de dólares ao déficit federal, levanta a possibilidade de que o bilionário esteja, mais uma vez, assumindo novos riscos para suas empresas — especialmente a Tesla.

A polêmica surge justamente no momento em que as vendas da companhia registraram queda de 13% no último trimestre. Enquanto isso, a Tesla está prestes a perder incentivos federais para vendas de veículos elétricos e serviços de recarga. Sem contar que seu projeto de negócio de robotáxis pode depender das regulamentações que a administração Trump vier a estabelecer.

Na tarde de segunda-feira (1º), as ações da Tesla caíram 5,4%, sendo negociadas a US$ 300,44 (R$ 1.639,40). No acumulado do ano, o papel já recuou 26%.

“A administração Trump sabe o quanto os veículos autônomos são importantes para o futuro de Musk e da Tesla, então fazer o que estiver ao seu alcance para atrasar o lançamento dos robotáxis seria especialmente prejudicial”, disse Loren McDonald, analista-chefe da Paren, uma empresa de dados da indústria de veículos elétricos. “O outro impacto, claro, recai sobre os contratos entre o governo dos EUA e a SpaceX, que agora podem estar seriamente em risco.”

Considerando o quanto Tesla e SpaceX têm dependido de apoio federal nos últimos 15 anos, Musk tem muito a perder. A Forbes estima que suas empresas tenham recebido ao menos US$ 30 bilhões (R$ 163,80 bilhões) em apoio público desde 2010. O valor inclui: contratos lucrativos de lançamentos de foguetes e satélites para a SpaceX, um empréstimo federal de baixo custo para a primeira fábrica da Tesla, além de bilhões de dólares em incentivos obtidos com a venda de créditos de emissão de poluentes federais e da Califórnia.

“Elon provavelmente recebe mais subsídios do que qualquer ser humano na história, de longe, e sem esses subsídios, ele provavelmente teria que fechar tudo e voltar para casa, na África do Sul”, disse Trump na Truth Social. “Se acabarem os lançamentos de foguetes, satélites ou produção de carros elétricos, o nosso país economizaria uma FORTUNA”, escreveu.

Tempestade sobre a Tesla

Por outro lado, os Estados Unidos dependem da SpaceX, portanto, ela tende a não ser afetada no curto prazo. Já a Tesla será impactada com a eliminação dos créditos fiscais de US$ 7,5 mil (R$ 40.950,00) para compradores de veículos elétricos, que devem começar a ser retirados em setembro, além do fim do apoio governamental à rede nacional de recarga de veículos elétricos, da qual a empresa se beneficiou.

A Tesla também pode sofrer caso o Departamento de Transportes dos EUA decida impor exigências nacionais mais rigorosas de segurança para veículos autônomos e robotáxis — uma área que Musk tem promovido como uma importante nova fonte de receita para a empresa.

Após uma década de crescimento global constante, as vendas da Tesla estagnaram no último ano, com queda de 13% no primeiro trimestre. Estimativas apontam que a montadora, com sede em Austin, deverá divulgar que realizou entregas de 380 mil carros elétricos e utilitários nos três meses encerrados em 30 de junho — uma queda de 14% em relação ao ano anterior.

Ainda, esse número pode ser otimista. Analistas como Edison Yu, do Deutsche Bank, preveem uma baixa ainda mais acentuada, de até 20%, para 355 mil unidades, com vendas despencando principalmente na Europa, além de quedas na América do Norte e até mesmo na China — o centro de lucros mais importante da Tesla.

“Esperamos que as entregas da Tesla no segundo trimestre de 2025 fiquem abaixo das expectativas do mercado, mas isso não deve ser uma surpresa, já que as expectativas dos investidores institucionais já estão significativamente mais baixas neste momento”, escreveu Yu em um relatório. Para todo o ano, ele agora prevê que a empresa venderá 1,6 milhão de veículos, uma queda de quase 10% em relação a 2024.

Musk X Trump

A baixa da Tesla ao longo do último ano coincidiu com o que até recentemente era o apoio declarado e financeiramente generoso de Musk a Trump. A partir de junho, após deixar em maio sua função de liderança do Department of Government Efficiency (DOGE) — duramente criticada por cortar milhares de empregos federais de forma brusca —, Musk entrou em conflito com Trump por causa do chamado “Grande Projeto de Orçamento”, reclamando do aumento nos gastos federais.

Seis dias depois, ele recuou e tentou amenizar a situação com o presidente dos EUA, chegando a deletar uma postagem que ligava Trump ao escândalo de Jeffrey Epstein. No entanto, o CEO da Tesla voltou a se pronunciar na semana passada, após a divulgação do rascunho do projeto de lei no Senado, que aumentaria o déficit em US$ 3,2 trilhões (R$ 17,47 trilhões) — mais até do que a versão aprovada pela Câmara por apenas um voto de diferença.

“É óbvio que, com os gastos insanos deste projeto, que aumenta o teto da dívida em um recorde de CINCO TRILHÕES DE DÓLARES (R$ 27,30 trilhões), vivemos em um país de partido único — o PARTIDO DO GAGUINHO!!”, escreveu Musk na rede X na segunda-feira.

Embora suas críticas tenham se concentrado nos gastos públicos, Musk também afirmou que “o projeto de Trump eliminará milhões de empregos nos Estados Unidos e causará um enorme prejuízo estratégico ao nosso país”. O plano, segundo ele, “faz concessões a indústrias antigas, mas destruirá os setores do futuro”.

Em resposta às reclamações de Musk e às declarações de que gastaria muito dinheiro para derrotar os congressistas que votaram a favor da proposta, o presidente dos EUA afirmou que talvez tenha que “soltar o DOGE contra Elon… DOGE é o monstro que talvez tenha que voltar e devorar Elon. Acho que ele não deveria brincar desse jogo comigo.”

Trump ainda sugeriu que poderia analisar a possibilidade de deportar o homem mais rico do mundo — sul-africano naturalizado cidadão americano. Embora isso seja improvável, o republicano pode causar prejuízos reais ao seu antigo aliado ao intensificar investigações sobre a Tesla.

Por exemplo, ele poderia pressionar a Administração Nacional de Segurança no Trânsito nas Rodovias (NHTSA) a aprofundar a investigação de longa data sobre os recursos de Autopilot e Full Self-Driving da Tesla, que já foram ligados a vários acidentes fatais. Ou ainda incentivar a Comissão de Valores Mobiliários (SEC, na sigla em inglês) a revisar a veracidade de algumas declarações públicas de Musk sobre a montadora, além de examinar a grande dependência da empresa da produção na China.

“Ele está irritado porque está perdendo seu incentivo para veículos elétricos. Ele está muito irritado”, disse Trump a repórteres na terça-feira. “Mas posso garantir que ele pode perder muito mais do que isso.”

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