Polícia frustra plano de assassinato transmitido ao vivo por grupo extremista no Rio

Publicado em 20/04/2025 · Categoria: Política

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A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu neste domingo, 20, três homens suspeitos de planejar o assassinato de um morador de rua. O crime seria cometido com requintes de crueldade e transmitido ao vivo pelo Discord, em troca de dinheiro. As autoridades identificaram os detidos como líderes de uma comunidade virtual dedicada à propagação de ódio contra negros, mulheres, adolescentes e animais.

Entre os presos estão Caio Nicholas Augusto Coelho, de 18 anos, Kayke Sant Anna Franco, de 19, e Bruce Vaz de Oliveira, de 24. Este último se apresentava como ativista ambiental nas redes sociais e chegou a participar de eventos internacionais. Segundo os investigadores, o trio comandava uma rede de crimes virtuais que incluía estupro digital, incentivo à automutilação, racismo e tortura animal, tudo tratado como forma de “entretenimento”.

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O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, afirmou em coletiva que o assassinato estava agendado para as 15h do domingo, data que coincide com o aniversário de Adolf Hitler.

“Cuidem dos seus filhos, observem seus filhos”, alertou o secretário. “Vejo o que eles estão fazendo na internet. Esse é o tipo de crime em que o inimigo está dentro de casa interagindo com seus filhos. Quando você der conta, será tarde demais.”

De acordo com a polícia, os criminosos ainda não haviam escolhido a vítima

Os criminosos ainda não haviam escolhido a vítima. A seleção seria feita nas imediações da casa de um dos envolvidos. Bruce, morador de Vicente de Carvalho, era o responsável pelo servidor do Discord e controlava o acesso de participantes. Durante buscas em sua residência, policiais encontraram restos de um animal. Mesmo com as provas, ele negou envolvimento. A mãe demonstrou surpresa diante do comportamento do filho.

Além do plano de execução, os criminosos também organizavam o assassinato de um coelho durante o feriado da Páscoa. A operação que levou à prisão do grupo foi deflagrada na sexta-feira 18, depois de uma denúncia encaminhada ao Ministério da Justiça. Com base nas informações, a polícia identificou quatro alvos, incluindo Bruce e um adolescente de 17 anos, já atuante na organização.

Suspeitos já eram investigados

“Esses indivíduos já vinham sendo investigados”, disse a delegada. “No entanto, na sexta-feira, surgiu um senso de urgência por causa dessa possibilidade de assassinato.”

A delegada Maria Luiza Harmínio Machado explicou que, para se tornar administrador do grupo, o menor precisava demonstrar participação ativa e reincidência em atos criminosos. A polícia acredita que Caio e Kayke seriam os encarregados de executar o morador de rua.

Ainda não há estimativa do total de integrantes. A delegada relatou que cada evento no Discord reunia públicos distintos, com variações entre 60 e 150 pessoas. O acesso aos encontros ocorria por links compartilhados entre os próprios membros.

Os investigadores não identificaram vínculo direto entre os suspeitos e crimes anteriores contra moradores de rua. No entanto, os presos mantinham contato com participantes de outros servidores semelhantes. Esses grupos, segundo a delegada, interagem entre si e compartilham ambientes virtuais, embora nem sempre atuem em conjunto.

A apuração agora foca nos financiadores. Diversos usuários enviaram valores via Pix para contas ligadas à organização. A delegada confirmou que a Polícia Civil trabalha para rastrear e identificar cada doador.

As prisões ocorreram nos bairros de Vicente de Carvalho, na zona norte, e Bangu, na zona oeste. Participaram da ação agentes da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), da 19ª DP (Tijuca) e da Subsecretaria de Inteligência (Ssinte).

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