Agroturismo de Luxo: The Newt, um Super Hotel-Fazenda no Coração do Reino Unido

Publicado em 22/06/2025 · Categoria: Negócios

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“O The Newt é mais do que apenas um hotel, é um legado”, diz Arthur Cole, chefe de programação do The Newt, no condado de Somerset, no sudoeste da Inglaterra, enquanto percorre as pitorescas terras agrícolas em um 4×4 coberto de lama.

Basta ler qualquer uma das resenhas sobre o The Newt – um hotel instalado em uma casa de estilo palladiano, fazenda e jardim, de propriedade dos hoteleiros Karen Roos e seu marido, Koos Bekker (os mesmos donos do Babylonstoren, na África do Sul) – para encontrar uma enxurrada de superlativos: surpreendente, mágico, encantador… Todos são verdadeiros e ainda há mais. Quando você chega, logo percebe que este é um dos hotéis de campo mais idílicos do Reino Unido, possivelmente em uma categoria própria. E, ainda assim, a equipe que trabalha no local não se gaba disso.

Em 2029, quando foi inaugurado, o acontecimento foi de forma discreta, sem alarde. Isso apesar de nenhum custo ter sido poupado na reforma da Hadspen House, uma construção do século 17 que fica no centro da propriedade, bem como na regeneração dos jardins (estima-se que o investimento tenha sido de cerca de 50 milhões de livras esterlinas, cerca de R$ 370 milhões na cotação atual).

Embora o hotel receba críticas entusiásticas de todos os lados, o The Newt acredita que a experiência dos hóspedes e o trabalho realizado na terra falam por si. “Sim, somos um hotel de luxo refinado, mas oferecemos muito mais do que uma cama para dormir”, diz Arthur. “Seja você vindo pelos jardins ou pela gastronomia [a maioria dos ingredientes usados nos restaurantes vem da própria fazenda], o The Newt continuará evoluindo muitos anos depois que eu me for. Pelo menos, esse é o plano.”

Localizado próximo a Bruton, em Somerset, a área do The Newt tem cerca de 323 hectares de terrenos bucólicos. Desde seus pomares murados, que abrigam 267 variedades de maçãs, até suas hortas expansivas, com 350 variedades de frutas, vegetais e ervas, há tanto para explorar que seria difícil ver tudo em apenas um fim de semana.

E mais. Há jardins floridos deslumbrantes, espalhados por 12 hectares, que incluem “salas” temáticas de cores — vermelhas, brancas e azuis; prados de flores silvestres convivem lado a lado com pastagens onde circulam búfalos; há uma gruta escondida; um parque de cervos; uma exposição interativa chamada The Story of Gardening; um spa situado entre jardins de ervas com tratamentos inspirados na natureza; lagos naturais para natação e até uma instalação própria para produção de sidra… E isso é apenas o começo.

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Produção de sidra é local

Talvez o mais importante seja o fato de que o The Newt funciona em uma fazenda de verdade, com cerca de 522 pessoas empregadas em todo o empreendimento, incluindo agricultores, gestores de conservação, jardineiros, cientistas, apicultores e profissionais florestais. Isso permite que os hóspedes tenham contato direto com a natureza e a vida selvagem.

“Não gostamos de usar palavras como ‘sustentável’”, diz Arthur. “Porque, afinal, o que isso realmente significa hoje em dia? É um termo tão usado que perdeu seu significado. ‘Regenerativo’ provavelmente é o termo mais adequado para nos descrever.”

Para entender melhor a profundidade do trabalho no The Newt, os hóspedes podem agendar um tour pela fazenda para conhecer o gado da raça British White, as ovelhas Dorset Down, os búfalos de água e os cervos selvagens que pastam nas terras. “Tudo aqui funciona em harmonia”, diz Arthur. “Eles fazem sua mágica no solo e criam condições para que polinizadores e aves do campo prosperem.”

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Hotel-fazenda tem criação de as ovelhas Dorset Down

De fato, as terras, florestas, pomares e jardins do The Newt são lar de uma ampla variedade de fauna e habitats importantes, incluindo várias espécies de répteis, aves e morcegos, além, claro, do tritão-de-crista (Great Crested Newt), que dá nome ao empreendimento. Há também o Beezantium, cuidado pelo entomologista residente Thomas Oliver, que abriga milhares de abelhas que polinizam frutas, vegetais, flores e culturas agrícolas por toda a propriedade.

“Somos extremamente conscientes em relação às nossas práticas agrícolas e ao cuidado com a terra e a vida selvagem. Enxergamo-nos como guardiões deste pedacinho da Inglaterra”, afirma Arthur. “Portanto, não usamos inseticidas; a ração suplementar e a cama dos bovinos e das vacas leiteiras são produzidas aqui mesmo, e os cordeiros são 100% alimentados com pasto.”

Ele continua: “Tentamos fornecer o máximo possível de insumos para os restaurantes daqui, o que significa que a produção e o processamento dos alimentos na propriedade economizam milhares de quilômetros de transporte todos os anos, e os hóspedes podem saborear os produtos mais frescos de Somerset. O gado British White e as ovelhas Dorset Down, alimentados com pasto, fornecem carne bovina e ovina de altíssima qualidade para as lojas, restaurantes e clientes online do The Newt na região. O trigo cultivado aqui fornece a farinha usada no pão, biscoitos, bolos, massas e outros produtos incríveis feitos pelos padeiros e chefs do The Newt. Já os búfalos fornecem o leite usado na produção dos queijos e iogurtes feitos na propriedade, na The Creamery.”

Também faz parte da estrutura o futurista o açougue Avalon, que, com seu espaço iluminado e de pé-direito duplo, mais parece uma galeria de arte do que um açougue convencional. “Ele foi projetado como um centro de excelência, não apenas para a produção de alimentos, mas também para oferecer oportunidades educacionais para aspirantes a açougueiros de todo o país”, explica Arthur.

“A instalação é o único fornecedor de carnes criadas na propriedade e de origem local, servidas nos restaurantes e lojas do The Newt. Com raças raras e patrimoniais nascidas, criadas, terminadas e processadas na propriedade, o açougue oferece ao The Newt controle absoluto sobre a qualidade, procedência e rastreabilidade da carne. O açougue busca ser uma referência na valorização da carne britânica, criada e preparada de forma absolutamente criteriosa. Além disso, mantém vivas tradições outrora comuns nas propriedades rurais britânicas — desde conservas de carne até o defumado lento de pernas de carneiro.”

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Carnes servidas vêm de animais criados no pasto

Não é surpresa, portanto, que a gastronomia no The Newt seja um dos destaques, com três restaurantes à disposição. O Garden Café, com suas paredes de vidro, oferece uma imersão na natureza, com vista para o pomar murado — o menu muda diariamente, de acordo com o que foi colhido nos jardins. Já a Farmyard Kitchen apresenta pratos robustos preparados em fogo de lenha, com uma cozinha aberta.

No Botanical Rooms, localizado na Hadspen House, os menus sazonais destacam os ingredientes mais frescos da propriedade — de uma mussarela de búfala com feijão branco até o veado da fazenda servido com beterraba, cogumelos ostra e nozes. Reserve espaço para a torta de maçã com caramelo de sidra e sorvete de leite de búfala — imperdível — e não deixe de pedir uma taça do Mourvèdre Rosé sul-africano, produzido na propriedade do hotel-irmão Babylonstoren. Você pode escolher entre a sala de jantar revestida de painéis de carvalho (aconchegante no inverno) ou a extensão envidraçada, que se parece com uma estufa vitoriana, cheia de vasos de cítricos e oliveiras.

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Cervos são criados soltos na propriedade

O The Newt é muito mais do que um hotel — mas isso não significa que não seja, também, um hotel excepcional. São 42 acomodações distribuídas entre a Hadspen House, edifícios históricos restaurados e a área chamada The Farmyard. Na casa principal, os quartos são cuidadosamente projetados, com uma mistura bem selecionada de antiguidades, cadeiras de veludo sofisticadas e camas com dossel simples. Os interiores foram concebidos por Karen Roos, que foi editora da Elle Decoration na África do Sul.

Naturalmente, a atenção aos detalhes é impecável e cheia de personalidade, com espelhos envelhecidos, arte em silhueta georgiana e armários de vidro no banheiro recheados de conchas e esponjas de banho — como pequenas curiosidades de tempos antigos. Tudo isso complementa perfeitamente os detalhes de época: paredes com painéis de madeira, lareiras e venezianas originais da casa palladiana.

Uma das maiores alegrias do The Newt é perceber como ele continua inovando, com novos projetos sendo implementados continuamente desde sua abertura. “Muitos de nós que trabalhamos aqui estamos envolvidos com o The Newt desde o início”, conta Arthur Cole. “Acreditamos desde o começo em uma visão bastante ambiciosa, mas o que se concretizou superou até os nossos sonhos. E mais: agora estamos levando ainda mais longe o potencial do The Newt.”

Uma das maiores atrações recentes foi a impressionante reconstrução de uma vila romana dentro da propriedade, construída após a escavação de ruínas romanas extensas. Os visitantes podem conhecer o centro de visitantes, observar as fundações originais e viajar no tempo dentro da vila reconstruída, que conta com afrescos pintados à mão, pisos de mosaico feitos por artesãos e banhos romanos funcionando. A vila fica em meio a um vinhedo (o hotel em breve produzirá seu próprio vinho) e jardins autênticos, inspirados nas plantas que os romanos cultivavam.

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Proprietários dizem que suas instalações vão além de um hotel

No ano passado, a equipe também inaugurou The Creamery, um café, laticínio e loja da fazenda, localizado na estação de trem de Castle Cary, que tem ligação direta com Londres. O espaço foi pensado como uma reinterpretação da antiga unidade de laticínios que funcionava ali, onde os produtores locais levavam leite para ser pasteurizado antes de ser embarcado no trem leiteiro rumo a Londres. E, adicionando mais uma novidade, neste ano estreou a experiência de chá da tarde Maid of Somerset, que acontece dentro de um vagão restaurado do British Pullman, instalado nos jardins. Construído originalmente em 1921, o vagão ganhou uma nova vida como cenário para uma experiência de chá da tarde única, com produtos do The Newt (pense em um bolo de amêndoa, laranja e cardamomo com whipped coffee hang op — um tipo de queijo cremoso criado pelo mestre queijeiro do The Newt).

O vagão, que antes servia como salão de primeira classe na lendária rota Thanet Belle, exibe rica marchetaria, padrões geométricos em treliça e poltronas de encosto alto, revestidas com o histórico tecido Autumn Tints. Mesas de mogno com tampo de vidro, datadas da década de 1920, ferragens de latão originais e luminárias de parede em estilo tocha completam o ambiente. Transportando os hóspedes para uma era passada, é mais um exemplo da habilidade do The Newt em recriar a magia das raízes do passado.

 

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