Conheça a Nova Tendência Turística da Itália: as Viagens Futebolísticas

Publicado em 03/07/2025 · Categoria: Negócios

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O futebol italiano está passando por uma transformação significativa. Proprietários de clubes têm buscado integrar a beleza natural e a cultura culinária do país à experiência dos dias de jogo. Paralelamente, a Série A lidera os esforços para exportar partidas do campeonato, com planos para levar Milan e Como à Austrália já em 2026.

No entanto, exportar partidas para o outro lado do mundo é apenas um detalhe. O principal desafio do Calcio está em reinventar-se em solo italiano, caso deseje manter-se entre as elites do futebol mundial.

Por muito tempo, a Série A confiou excessivamente em suas glórias passadas para sustentar seu prestígio, enquanto outras ligas europeias a alcançavam — e superavam.

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Jogadores do Milan comemoram com troféu após vencerem a final da Liga dos Campeões da UEFA de 1994 contra o FC Barcelona por 4 a 0

Agora, com a chegada de novas lideranças e uma mudança de mentalidade, o complexo de superioridade que acelerou o declínio do futebol italiano parece ter dado lugar à compreensão de que as mudanças precisam partir de dentro.

Há, enfim, espaço para novas ideias. As fases de negação, raiva, depressão e barganha parecem ter sido superadas, e a aceitação de que a Itália não está mais no topo do futebol mundial é vista como um passo essencial para a retomada do protagonismo — sentimento compartilhado por Andy Mitchell, CEO da Série A na América do Norte.

“O que quero garantir é que estejamos à frente dos nossos concorrentes europeus”, afirmou Mitchell no início deste ano.
“Acredito que a Série A deve ser a liga continental europeia mais popular nos Estados Unidos. Esse é o nosso objetivo.”

Fora a MLS, é inegável que a Premier League detém a maior fatia de audiência nos EUA. Ainda assim, o futebol italiano vem ganhando espaço por meio de transmissões da CBS e da Paramount Plus para a Série A, além da plataforma Destination Calcio para a Série B. A Série C, terceira divisão, também está disponível via FIFA+.

Em março, a Série A confirmou um crescimento inédito na América do Norte, embora o aumento de interesse leve tempo para se converter em receita para os clubes.

Na verdade, o valor dos direitos internacionais da Série A caiu de US$ 428 milhões (R$ 2,6 bilhões) por temporada (2018–2021) para US$ 288 milhões (R$ 1,7 bilhão) por temporada no ciclo 2024–2029. A liga não conseguiu compensar essa perda com acordos nacionais de transmissão com a DAZN e a Sky, que, juntas, pagam atualmente US$ 50 milhões (R$ 300 milhões) a menos por ano do que há uma década.

Problema, reação, solução

Com menos dinheiro disponível para ser dividido entre os clubes, os grupos proprietários estão buscando alternativas para mitigar perdas e gerar sustentabilidade financeira — ou seja, investir para poder lucrar.

Roma, Milan, Juventus e Inter têm ampliado suas bases de fãs no exterior por meio de turnês de verão. Juventus e Inter, inclusive, estão competindo atualmente no Mundial de Clubes da FIFA em cidades como Pasadena e Washington. Durante uma dessas viagens, a Juventus chegou a participar de um encontro com o ex-presidente Donald Trump no Salão Oval.

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O presidente Donald Trump faz comentários ao receber a Juventus FC, um time profissional de futebol italiano, no Salão Oval da Casa Branca, em 18 de junho de 2025, em Washington, DC

Enquanto o desempenho em mercados internacionais apresenta melhoras modestas, é dentro da Itália que surgem oportunidades para quem deseja criar novas fontes de receita ligadas ao turismo internacional — setor que representa 13% do PIB italiano.

O turismo na Itália está em alta

A Itália continua entre os cinco países mais visitados do mundo, com 64,5 milhões de visitantes em 2024 — cerca de 15 milhões a menos que os Estados Unidos, terceiro colocado.

A Europa segue sendo a região de melhor desempenho no Índice de Desenvolvimento de Viagens e Turismo do Fórum Econômico Mundial, indicador que avalia políticas e fatores que promovem o crescimento sustentável e resiliente do turismo, contribuindo assim para o desenvolvimento nacional.

É nesse setor de viagens e turismo, que movimenta US$ 60 bilhões (R$ 360 bilhões) por ano, que um clube em especial busca ampliar suas receitas de forma independente das incertezas relacionadas aos direitos de transmissão e à venda de ingressos.

Logo após alcançar a metade superior da tabela da Série A em sua temporada de retorno à elite, o Como lançou a SENT Tourism, uma operadora de turismo com a proposta de unir experiências do futebol italiano a elementos do estilo de vida local.

“O objetivo é posicionar o Como 1907 como referência em viagens de luxo ligadas ao futebol”, declarou Mirwan Suwarso, presidente do clube. “Não estamos apenas recebendo torcedores, estamos convidando o mundo a vivenciar o futebol pela perspectiva de Como: elegante, intensa e singularmente italiana.”

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Vista aérea de Como no Lago Como ou Lario – Região da Lombardia, Itália

Clientes da SENT Tourism terão acesso VIP aos jogos do Como, encontros com jogadores, passeios de hidroavião e roteiros culturais. O clube também sediará a primeira edição da Copa Como, torneio com a participação de Ajax, Celtic e Al Ahli, previsto para julho.

Apresentações de DJs, pratos elaborados por chefs estrelados no Guia Michelin e restaurantes locais complementarão o evento, que também contará com exposições, lounges noturnos e lojas temporárias de moda. A proposta busca atrair um público internacional de alto poder aquisitivo interessado em mais do que as duas horas de jogo de uma partida convencional.

O grupo proprietário do Como quer preencher uma lacuna no mercado de turismo esportivo de luxo. Com 2026 no horizonte, a SENT Tourism já oferece pacotes de hospedagem em Milão e Cortina durante os Jogos Olímpicos de Inverno, evento visto pela Lega Série A como uma chance de ampliar sua presença internacional.

Com a cerimônia de abertura das Olimpíadas prevista para o estádio Giuseppe Meazza durante a temporada da Série A, e com o Milan necessitando de um estádio alternativo, foi apresentada uma proposta para exportar, pela primeira vez, uma partida da primeira divisão italiana para o exterior — os organizadores australianos têm interesse em levar o Milan para Perth. O Como é cotado como candidato a acompanhar o rival nessa jornada.

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Christian Pulisic, do AC Milan, em ação durante a partida da Série A entre AC Milan e Como no Estádio Giuseppe Meazza

Para um clube que há apenas seis anos disputava a Série D, a quarta divisão italiana, o impacto do Como é considerado um dos mais significativos em termos de inovação no futebol do país. Barreiras vêm sendo rompidas, e há planos de revitalização do estádio Giuseppe Sinigaglia no futuro próximo.

Com a Itália se preparando para co-sediar a Eurocopa de 2032 com a Turquia, o país precisará indicar cinco cidades e estádios até outubro de 2026. Diante da indefinição sobre projetos de novos estádios em Roma, Milão, Cagliari e Nápoles, o plano do Como de reconstruir o Sinigaglia até 2028 pode representar uma alternativa estratégica para a cidade às margens do Lago de Como.

Casa mia, casa tua

O investimento estrangeiro é o principal motor das mudanças no futebol italiano. Embora torcedores peçam melhorias há anos, a maioria dos clubes não dispõe de recursos para promover transformações significativas, o que tem deixado muitas equipes e estádios em situações de abandono ou falência.

Nos últimos dez anos, no entanto, diversas aquisições por grupos estrangeiros trouxeram uma mentalidade mais global ao esporte. Quando a temporada 2025–26 começar, em agosto, apenas nove dos 20 clubes da primeira divisão estarão sob controle de proprietários italianos pelo segundo ano consecutivo — tendência que deve se intensificar.

Diante da queda do PIB em diversos setores e do êxodo de jovens qualificados entre 25 e 34 anos em busca de melhores oportunidades no exterior, esse tipo de imigração econômica causa bem menos controvérsia na península.

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