João Gomes: “Forró Já É Internacional, Falta o Mundo Perceber”
Publicado em 20/06/2025 · Categoria: Negócios
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Se o Carnaval virou festa internacional e a bossa nova se proliferou como símbolo sonoro do Brasil, o São João caminha para ocupar esse mesmo patamar. Hoje, a maior festa popular do Nordeste movimenta R$ 6,8 bilhões no Brasil, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), e busca o reconhecimento global como patrimônio cultural vivo. No centro dessa articulação está João Gomes, que cresceu se apresentando em quermesses escolares e hoje arrasta multidões Brasil afora, se tornando peça-chave para a internacionalização do forró e da cultura junina.
O convite — meio sério, meio piada — que o cantor , Forbes Under 30 em 2021, fez para o novo técnico da seleção brasileira, o português Carlo Ancelotti, de visitar o São João de Campina Grande não foi apenas uma ação espontânea de internet: foi um gesto simbólico. Ele representa uma nova geração de artistas que entendem a festa não apenas como celebração afetiva, mas como um ativo estratégico de turismo e economia criativa.
Em entrevista à Forbes, João Gomes revela como enxerga essa missão cultural e comercial — e como suas colaborações musicais, que vão do rap ao sertanejo, se tornaram uma engrenagem importante desse processo. “O forró já é internacional. Só falta o mundo perceber”, resume ele. Confira a seguir:
A força das parcerias
Natural de Pernambuco, Gomes não pensa nas parcerias apenas como acertos de mercado — embora reconheça que hoje elas também funcionem assim. “Todo feat pode fazer um movimento do mercado. Mas a gente tem que mirar o coração das pessoas”. Para ele, gravar com artistas de gêneros variados é uma maneira de se reinventar e de acessar novos públicos, como aconteceu na colaboração com Jota.Pê e Mestrinho: “Me apresentou a um público totalmente diferente”.
Segundo o cantor, as conexões surgem mais do sentimento do que da lógica. Esse olhar sensível transformou feats em caminhos inesperados, como no caso da música com BK, que levou três anos para se concretizar: “Ele me mandou em 2021 e gravamos em 2024”.
Essas trocas ampliam não só sua carreira, mas a visibilidade da cultura que carrega. João acredita que a música tem poder de atravessar fronteiras quando nasce do afeto e da verdade. “A gente dá o tiro, vê a flecha voando, mas não sabe o alvo que pode alcançar”, compara, fazendo da intuição sua maior bússola artística.
Em abril de 2025 foi lançado o álum Dominguinho, fruto de uma parceria entre João Gomes, Mestrinho e Jota.pê
Mais do que resultado, João Gomes valoriza o processo. Para ele, viver intensamente cada encontro e cada show é fundamental. Sua filosofia de vida e carreira? “Cada experiência vale a pena viver”. Nesse caminho, é na estrada, com seus encontros e surpresas, que ele se sente mais vivo.
Essa perspectiva também alimenta a forma como o pernambucano lança seus projetos. Mais do que um CD digital, ele acredita que é preciso transformar a música em experiência. “A melhor forma de trabalhar uma canção é perto das pessoas, ouvindo de perto, vendo as reações”, afirma.
O cantor acredita que ainda está aprendendo com o mercado, mas já entende o essencial: “Hoje é muito mais o coração, aquela intuição e aquela vontade de fazer diferente”, explica.
“O São João ainda é uma coisa a ser descoberta pelo mundo inteiro”
A ligação do artista com o São João vem desde a infância. “Comecei cantando na escola e já tava certo que no próximo ano ia cantar de novo”, relembra. O que era apenas uma brincadeira colegial se transformou em um compromisso de vida. Hoje, ele se sente parte de uma nova geração que ajuda a construir uma experiência junina mais moderna e estratégica.
João observa que artistas veteranos como Xand Avião e Wesley Safadão vêm investindo em espetáculos cada vez mais grandiosos durante o São João. “A gente se planeja pra chegar bem nas cidades, com música nova, com novidade”, conta. Seguindo essa linha, ele também apostou em inovação com a apresentação ao lado da Orquestra Sinfônica de Caruaru, que, segundo ele, foi um momento inesquecível.
Mesmo com esse movimento, João acredita que o São João ainda é subestimado fora do Brasil. “O mundo é muito grande, e o nosso lugar tem uma cultura muito linda, que merece todo o respeito”, afirma. A internacionalização da festa, para ele, deve vir com autenticidade e carinho pelas raízes.
Figura querida dos grandes palcos, João ainda guarda as lembranças festas de São João passadas com a família. Hoje, com a agenda cheia de shows, ele vive a festa de forma diferente, mas sem perder o respeito pela tradição.
O convite feito a Carlo Ancelotti, embora tenha viralizado como piada, nasce de um desejo real: mostrar ao mundo a potência cultural do Nordeste. “Merecia que essa turma estivesse aqui, porque nosso Brasil tem uma cultura muito rica. E boa parte dessa riqueza é aqui”, afirma. Para ele, o São João é o cenário ideal para uma nova vitrine global da música brasileira.
Se o São João movimenta bilhões, o pernambucano lembra que o maior capital da festa é o humano. “Os artistas estão entendendo muito mais o valor afetivo agora”, diz. Segundo ele, a conexão com o público é o que garante a autenticidade da experiência: “Você vai na cidade e não toca forró? A galera vai cobrar”.
Exportar uma festa tão enraizada não é tão simples, reconhece. Mas, como João mesmo diz, “seria muita pretensão da minha parte imaginar que fosse dar certo. Mas merecia”. Em sua visão, o São João tem tudo para ocupar um espaço de prestígio cultural — basta ser vivido e respeitado como ele é.
Um farol de representação
João Gomes sabe do peso que carrega ao representar a cultura brasileira mundo afora. O cantor entende que seu papel vai além do entretenimento. “No final das contas, a gente representa um lugar, uma história, e cativa sonhos nas pessoas”, afirma. Por isso, seu compromisso é com a entrega: “Fazer um bom trabalho, arrumar bons parceiros, ficar perto das boas pessoas”.
O sonho, para ele, é seguir em movimento, aprendendo com quem veio antes e criando novas experiências para quem está por vir. “O piseiro transformou a minha vida. A poesia, as palavras… E acho que o papel que quero desempenhar é ter algumas canções que acertem bem no coração de alguém”.
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