Migração de Riqueza: Conheça os Países Que São um “Plano B” para os Milionários
Publicado em 25/06/2025 · Categoria: Negócios
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A maior transferência voluntária de capital privado da história moderna está em andamento, segundo um novo relatório sobre migração de riqueza — com os Emirados Árabes Unidos e os Estados Unidos ganhando espaço, enquanto o Reino Unido e a China registram perdas significativas de milionários.
Segundo o Henley Private Wealth Migration Report 2025, um número recorde de 142 mil HNWIs (indivíduos de alta renda líquida) — definidos como pessoas com pelo menos US$ 1 milhão (R$ 5,54 milhões) em riqueza líquida — deve adquirir status de residência ou cidadania em outro país neste ano. A projeção para 2026 é ainda maior: 165 mil. De acordo com Nuri Katz, fundador da Apex Capital Partners, uma empresa que oferece consultoria em imigração por investimento a clientes de alto patrimônio, é preciso uma fortuna de pelo menos US$ 10 milhões (R$ 55,4 milhões) para se ter um milhão de dólares em ativos líquidos.
O relatório aponta que os Emirados Árabes Unidos continuam sendo o destino mais desejado por pessoas ricas, com previsão de receber 9.800 HNWIs em 2025 — um salto em relação aos 6.700 do ano anterior.
A maior alta na atratividade no ranking ficou com a Arábia Saudita, que deve receber mais de 2,4 mil milionários em 2025 — um número oito vezes maior com relação ao ano passado. Isso se deve a um grande número de sauditas retornando ao país e a investidores internacionais se estabelecendo em Riad e Jedá.
O Reino Unido enxerga um movimento contrário acontecendo e deve enfrentar o maior êxodo de riqueza já registrado em um único ano, com a projeção de 16,5 mil milionários adquirindo status de residência em outro país. A China aparece em segundo lugar entre os países com maior perda, com previsão de que 7,8 mil deixem o país em 2025.
Os líderes do ranking
Mas por qual razão o Oriente Médio aparece em grande destaque no ranking?
A Henley & Partners destaca a política de imigração acolhedora dos Emirados, com “zero imposto de renda, infraestrutura de alto nível, estabilidade política e um ambiente regulatório que trata o capital como parceiro, não como presa” como um grande atrativo. O programa Golden Visa de 2019 foi ajustado em 2022 para ampliar a elegibilidade. “Recentemente, muitas pessoas de alto patrimônio têm se mudado para os Emirados Árabes pela qualidade de vida e, obviamente, pela ausência de imposto sobre a renda pessoal”, afirmou Katz. No entanto, ele acrescenta que, embora os Emirados estejam de fato atraindo muita gente, isso “não inclui tantos americanos, porque os americanos nunca são isentos do imposto de renda”.
Os EUA aparecem em segundo lugar no ranking da Henley, com previsão de receber 7,5 mil novos super ricos em 2025. A maioria chega por meio do Programa de Imigrante Investidor EB-5, que, segundo a Henley & Partners, já canalizou mais de US$ 50 bilhões (R$ 277 bilhões) em investimento estrangeiro direto, criando centenas de milhares de empregos no país. Vale lembrar, no entanto, que o presidente Donald Trump e o secretário de Comércio, Howard Lutnick, vêm promovendo o novo programa de visto Trump Gold Card, com custo de US$ 5 milhões (R$ 27,7 milhões), como substituto do EB-5. Até o momento, a promessa ainda não saiu do papel e especialistas acreditam que será difícil alcançar as metas de arrecadação propostas pelo governo.
Segundo Lutnick, quase 70 mil pessoas se registraram no site do Trump Gold Card nos dias seguintes ao lançamento, em (quarta-feira) 11 de junho. Lutnick afirmou que o programa poderia atrair até 200 mil investidores que se tornariam titulares do green card. Trump chegou a sugerir que os EUA poderiam “vender talvez um milhão desses cartões, talvez até mais”, destacando que 10 milhões de cartões poderiam gerar US$ 50 trilhões (R$ 277 trilhões) em receita e eliminar a dívida pública de US$ 36 trilhões (R$ 199,4 trilhões).
Segundo um porta-voz da Henley & Partners, se os dados de Lutnick forem precisos, “a vasta maioria” das pessoas estaria apenas se cadastrando para obter mais informações, “e não são, de fato, pessoas elegíveis para se cadastrar. O porta-voz acrescentou que, se o Trump Gold Card oferecer tratamento fiscal mais favorável sobre a renda mundial, “poderíamos ver alguns milhares de cartões sendo emitidos por ano, mas ainda há muitas incertezas neste momento”.
Katz afirmou à Forbes que a “matemática de Lutnick não fecha”, já que “raramente vi alguém gastar mais de 10% do patrimônio líquido em um programa de imigração — e, geralmente, é mais perto de 5%. Então, você teria que valer US$ 100 milhões (R$ 554 milhões) para poder bancar isso”. No mundo, há menos de 30 mil centimilionários, e cerca de um terço são americanos — que não precisam comprar um green card.
Por que a migração de riqueza importa?
“O que está em jogo é uma mudança profunda na influência econômica, já que os países disputam não apenas talentos, mas também as fortunas que os acompanham”, diz o relatório da Henley.
“Com uma riqueza investível coletiva estimada em torno de US$ 63 bilhões (R$ 349 bilhões), os Emirados Árabes Unidos evoluíram de um centro regional para um polo global de riqueza graças a políticas públicas inovadoras.”
Os autores do relatório citam o Reino Unido como um alerta: antes de 2016, o país atraía mais milionários do que perdia para a imigração. Mas, segundo Katz, o termo “migração” pode ser um pouco equivocado. “Na minha experiência, os indivíduos ricos veem esses programas como um Plano B”, afirmou. “Eles não estão realmente saindo do Reino Unido. Estão apenas obtendo documentação em outros países, mas não necessariamente se mudando.”
A maioria dos milionários adquire residência por meio de vistos de trabalho, vistos por ancestralidade, vistos de aposentadoria, vistos familiares ou passaportes secundários por direito de nascimento, segundo a Henley & Partners. Apenas cerca de 30% optam por programas de migração por investimento para garantir residência ou cidadania.
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